DÍVIDA EM FAMÍLIA: Quase 9 em cada 10 famílias no RS iniciam o segundo semestre endividadas

9/7/20262 min read

Dados da Fecomércio-RS apontam leve recuo no índice geral, mas comprometimento da renda com parcelas e cartões de crédito segue preocupando o orçamento doméstico.

O bolso dos gaúchos continua operando no limite histórico. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), divulgada pela Fecomércio-RS, 86,4% das famílias do Rio Grande do Sul declararam possuir algum tipo de dívida.

O índice representa um recuo sutil em relação aos meses anteriores (que haviam batido a marca de 87,4% em maio), mas acende um alerta: o patamar atual ainda supera o registrado no mesmo período do ano passado, quando o endividamento atingia 85,3% da população do estado.

O Raio-X do Endividamento no Rio Grande do Sul

Embora o número total de endividados tenha apresentado uma leve retração na margem, a qualidade dessas dívidas aponta para uma pressão financeira severa sobre a renda disponível:
Comprometimento da Renda: Em média, as famílias gaúchas estão destinando 29,9% de todo o seu orçamento mensal exclusivamente para pagar parcelas e faturas.
Tempo de Pendência:
O tempo médio de comprometimento com esses débitos está fixado em 7,2 meses.
Inadimplência Real: Cerca de 25,8% dos consumidores possuem contas efetivamente em atraso.
Extrema Gravidade: A parcela de famílias que admitem não ter nenhuma condição de pagar as contas atrasadas estabilizou-se em 1,9%.

O Vilão do Orçamento: Cartão de Crédito e Carnês

O perfil do devedor gaúcho mostra uma dependência profunda de modalidades de crédito de curto prazo e com juros elevados. O cartão de crédito continua isolado como o principal fator de endividamento, sendo citado por mais de 85% das pessoas que possuem dívidas.

Na sequência, os tradicionais carnês de loja dividem o protagonismo do aperto financeiro, seguidos por fatias menores destinadas a financiamentos de veículos, imóveis e linhas de crédito pessoal.

Desigualdade de Renda e Gênero na Inadimplência
A vulnerabilidade econômica no estado tem alvos bem definidos. Estudos do DIEESE RS
indicam que o peso da crise financeira não é distribuído de forma igualitária:

1. Faixa de Renda: A inadimplência (contas em atraso) entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos é cerca de 2,6 vezes maior do que nas classes de maior poder aquisitivo. Enquanto a classe média-alta e alta conseguiu reduzir seus atrasos para a casa dos 5,7%, as famílias de menor renda enfrentam taxas de atraso que superam os 31%.

2. Gênero: O volume de mulheres inadimplentes é 2,4% superior ao de homens, reflexo direto da disparidade salarial e do fato de muitas mulheres chefiarem sozinhas os seus lares, lidando com despesas básicas que cresceram acima da inflação média.

Como se proteger do superendividamento?
Economistas alertam que o endividamento, por si só, não é necessariamente um fator negativo, pois move o comércio e o consumo. O problema real é a perda da capacidade de pagamento diante de imprevistos ou juros abusivos.

Para quem precisa sair do vermelho, especialistas recomendam mapear detalhadamente todas as despesas mensais, priorizar a quitação de dívidas que cobram juros maiores (como o rotativo do cartão) e buscar feirões de renegociação oficiais, como as plataformas reguladas pelo governo ou os mutirões do Serasa Limpa Nome.

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