CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO deixam rastros e mais de 93 mil sem luz no Litoral Norte do RS
9/24/20262 min read


Passagem de forte temporal causou destelhamento de rodoviária, quedas de dezenas de postes e avanço súbito do mar na região. Equipes de resgate e concessionária trabalham na recuperação dos municípios afetados.
A madrugada e a manhã de segunda-feira (21) foram de pânico e severos prejuízos para os moradores do Litoral Norte gaúcho. A passagem de uma intensa linha de instabilidade provocou ventos destrutivos e um fenômeno incomum na costa, deixando cidades isoladas, aulas suspensas e um rastro de destruição estrutural. De acordo com dados em tempo real da concessionária CEEE Equatorial, o impacto na rede elétrica chegou a interromper o fornecimento de energia para mais de 93 mil clientes na região.
Fenômeno raro atinge Capão da Canoa
Um dos pontos mais afetados foi o município de Capão da Canoa. Além das rajadas de vento que provocaram o destelhamento parcial da estação rodoviária — onde parte da cobertura desabou sobre um ônibus estacionado —, a orla da praia foi atingida por um avanço abrupto do mar.
Especialistas da MetSul Meteorologia classificaram o evento na Beira-Mar como um tsunami meteorológico (ou meteotsunami). O fenômeno é desencadeado por variações bruscas na pressão atmosférica que geram ondas grandes e rápidas, avançando sobre a faixa de areia e danificando quiosques e infraestruturas urbanas, sem que houvesse uma ressaca tradicional prevista.
Destruição e isolamento em balneários
O cenário também é crítico em cidades vizinhas:
Xangri-Lá / Rainha do Mar: Moradores relataram a suspeita de um tornado devido à força dos ventos. Houve queda generalizada de postes de concreto, portões arrancados e destruição na cobertura de comércios, incluindo um posto de combustíveis.
Palmares do Sul / Quintão: O balneário de Quintão registrou dezenas de residências destelhadas. A queda em cadeia de postes obstruiu a estrada de ligação com o balneário de Magistério (Balneário Pinhal), deixando parte da comunidade temporariamente isolada. Danos graves também foram reportados em Granja Vargas, Frei Sebastião e Bacupari.
Cidreira e Imbé: Prédios públicos, como o centro administrativo da prefeitura de Cidreira, tiveram as atividades e o atendimento suspensos devido ao blecaute.
Impacto na Educação e Serviços Públicos
Por questões de segurança e falta de eletricidade, as aulas foram canceladas em diversas redes municipais e estaduais da região, como na Escola de Educação Infantil Jardelino Peroni, em Imbé.
As cidades com maior número de consumidores afetados pelo desabastecimento de energia foram:
Capão da Canoa: 17.234 clientes sem luz
Cidreira: 14.808 clientes sem luz
Palmares do Sul: 11.517 clientes sem luz
Santo Antônio da Patrulha: 10.889 clientes sem luz
Xangri-Lá: 10.333 clientes sem luz
Trabalho de Recuperação
Equipes da Defesa Civil e das prefeituras locais seguem mobilizadas na distribuição de lonas e na desobstrução de vias públicas bloqueadas por árvores e fiação. A chuva persistente que atinge o estado dificulta o andamento dos reparos. A CEEE Equatorial informou que atua com contingente reforçado para reconstruir as redes afetadas, mas alerta que, devido à gravidade e complexidade dos estragos, o tempo de restabelecimento completo pode variar conforme a localidade.
Até o momento, não há registro oficial de vítimas fatais ou feridos graves na faixa do Litoral Norte, embora o temporal tenha deixado mortos e desaparecidos em outras regiões do Rio Grande do Sul, como na Serra e no Sul do estado.
