CAÇADORES DE TEMPESTADES: quem são os gaúchos que viajam milhares de quilômetros atrás de ciclones e supercélulas no RS
7/25/20262 min read


Equipe de meteorologistas e fotógrafos cruza as rodovias do Rio Grande do Sul para registrar a fúria da natureza, emitir alertas em tempo real e ajudar a ciência.
O Rio Grande do Sul está posicionado no coração do segundo corredor de tornados mais propício do planeta. Sabendo disso, enquanto a maioria das pessoas busca abrigo quando o céu escurece, um grupo específico de gaúchos acelera em direção ao perigo. Eles são os Caçadores de Tempestades do RS, uma equipe que mistura ciência, fotografia extrema e muita adrenalina nas estradas do estado.
Composto por especialistas e entusiastas, o grupo monitora radares meteorológicos e cruza fronteiras regionais para interceptar frentes frias, granizo gigante, nuvens de tempestade (como as impressionantes shelf clouds) e complexos convectivos de grande escala.
Quem faz parte da equipe?
O time une a precisão técnica da meteorologia com os olhos treinados da fotografia de natureza:
· Gabriel Zaparolli: Fotógrafo e astrofotógrafo baseado em Torres (Litoral Norte). É a voz e a imagem principal das transmissões ao vivo que acumulam milhares de visualizações nas redes sociais durante os temporais.
· Rafael Santana: Meteorologista e navegador da equipe, baseado na região central do estado (Santa Maria). É quem lê os modelos matemáticos e guia o veículo com precisão milimétrica até o núcleo da tormenta.
· Gustavo Selau, Pablo Marcanth e Nathan Feltrin: Fotógrafos e técnicos de campo que apoiam o monitoramento visual, logística de segurança e captação de imagens em alta resolução.
Muito além do clique: a importância dos alertas
Embora as imagens de raios cortando o céu e nuvens colossais pareçam cinema, o trabalho do grupo cumpre um papel social crucial: o nowcasting (previsão de curtíssimo prazo).
Direto do meio das tempestades, os caçadores realizam transmissões ao vivo no YouTube e publicam atualizações em tempo real no Instagram. Ao cruzarem dados de radares com o que estão vendo fisicamente no horizonte, eles conseguem avisar comunidades rurais e urbanas sobre a chegada iminente de ventos destrutivos ou queda de granizo minutos antes dos órgãos oficiais.
"O radar mostra a chuva, mas nós mostramos o que a nuvem está fazendo no chão. Esse ganho de minutos salva vidas e bens patrimoniais", explicam os integrantes em suas redes.
O Laboratório nas Rodovias Gaúchas
Rodovias como a BR-158, BR-293 e as planícies da Campanha e da Fronteira Oeste são as pistas de pouso favoritas dessas supercélulas. A geografia plana da metade sul do estado facilita a visualização completa da estrutura das tempestades, tornando a região o cenário perfeito para as expedições.
Além da adrenalina, os dados visuais e as medições de temperatura, pressão e vento colhidas pelo grupo servem como banco de dados para pesquisadores. Diante das mudanças climáticas globais, entender como esses sistemas severos se comportam no solo gaúcho virou uma prioridade científica.
