BOTOS: a pesca com botos no Sul do Brasil poderá se tornar em Patrimônio Cultural do Brasil

1/31/20262 min read

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu, na última quarta-feira (28/01), consulta pública para que a sociedade possa se manifestar sobre a proposta de registro da pesca com botos no Sul do Brasil como patrimônio cultural do país. Até o dia 27 de fevereiro de 2026, qualquer pessoa pode enviar sua opinião, sugestões ou informações sobre o bem cultural que pode ser inscrito no Livro de Registro dos Saberes.

As manifestações podem ser enviadas por e-mail para conselho.consultivo@iphan.gov.br, por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135, ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros.

A consulta pública representa uma oportunidade para que a população, especialmente quem vive, pratica ou conhece de perto essa tradição, possa contribuir com informações, relatos e opiniões sobre o bem cultural, garantindo que o processo de reconhecimento passe pelas mãos da comunidade detentora.

Pesca com botos no Sul do Brasil

A pesca com botos é uma prática tradicional, ativa principalmente na região Sul do Brasil, onde há uma interação entre os pescadores artesanais e os botos-de-Lahille, que ajudam a capturar peixes, especialmente a tainha. Ela é especialmente documentada e estudada em quatro locais: em Laguna (SC), no Estuário da Barra do Rio Tramandaí (RS), no Estuário do Rio Mampituba (divisa entre SC e RS) e no Rio Araranguá (SC).

A interação entre homens, botos e tainhas acontece no limiar entre a terra e a água, sendo a tarrafa o elemento que conecta todos eles. A tainha escolhe o lugar, o boto define o momento e sinaliza para o homem, o homem interpreta a comunicação e identifica o momento exato de lançar a tarrafa para pegar uma maior quantidade de tainhas do que conseguiria se estivesse pescando sozinho e sem a orientação dos botos.

Segundo o Presidente da Associação Comunitária Imbé Braço Morto, o professor Álvaro Nicotti, “esta iniciativa que começou há alguns anos atrás, demonstra como é importante a participação da Sociedade Civil Organizada na preservação do patrimônio socioambiental e convoca a todos para que se manifestem para que o processo de registro seja aprovado”.

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