BOTO E PESCADOR: pesca é considerada patrimônio cultural
3/12/20262 min read


Em matéria publicada anteriormente (31/01/26) o canalpontoa.com.br informou que; no dia 28/01/26, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu consulta pública para que a sociedade pudessem se manifestar sobre a proposta de registro da pesca com botos no Sul do Brasil como patrimônio cultural do país. Até o dia 27 de fevereiro de 2026, qualquer pessoa enviou sua opinião, sugestões ou informações sobre o bem cultural que pode ser inscrito no Livro de Registro dos Saberes.
As manifestações podem ser enviadas por e-mail para conselho.consultivo@iphan.gov.br, por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135, ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros.
A pesca artesanal com auxilio dos botos passou a ser reconhecida como um patrimônio cultural imaterial no Sul do Brasil, abrangendo os municípios de Laguna (SC), Araranguá (SC), Imbé (RS) e Tramandaí (RS). O reconhecimento aconteceu na tarde desta quarta-feira, dia 11, durante uma reunião do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural, que aprovou a prática no Livro de Saberes do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), garantindo o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial em nível federal.
A decisão celebra uma tradição centenária que representa um dos exemplos mais singulares de cooperação entre seres humanos e animais na natureza. Na prática, os botos ajudam os pescadores a localizar e cercar os cardumes de tainha. Ao identificarem o momento ideal, os animais realizam movimentos característicos que indicam aos pescadores a hora certa de lançar a tarrafa.
Pesca com botos no Sul do Brasil
A pesca com botos é uma prática tradicional, ativa principalmente na região Sul do Brasil, onde há uma interação entre os pescadores artesanais e os botos-de-Lahille, que ajudam a capturar peixes, especialmente a tainha. Ela é especialmente documentada e estudada em quatro locais: em Laguna (SC), no Estuário da Barra do Rio Tramandaí (RS), no Estuário do Rio Mampituba (divisa entre SC e RS) e no Rio Araranguá (SC).
A interação entre homens, botos e tainhas acontece no limiar entre a terra e a água, sendo a tarrafa o elemento que conecta todos eles. A tainha escolhe o lugar, o boto define o momento e sinaliza para o homem, o homem interpreta a comunicação e identifica o momento exato de lançar a tarrafa para pegar uma maior quantidade de tainhas do que conseguiria se estivesse pescando sozinho e sem a orientação dos botos.
Segundo o Presidente da Associação Comunitária Imbé Braço Morto, o professor Álvaro Nicotti, “esta iniciativa que começou há alguns anos atrás, demonstra como é importante a participação da Sociedade Civil Organizada na preservação do patrimônio socioambiental e convoca a todos para que se manifestem para que o processo de registro seja aprovado”.
