AUMENTO DA MISTURA de biocombustíveis; avanço ambiental ou risco para o seu motor?

5/12/20262 min read

O Governo Federal tem avançado com propostas para elevar o percentual de mistura de biocombustíveis na gasolina (etanol) e no diesel (biodiesel). Embora a medida seja um pilar da estratégia de descarbonização e da política de "Combustível do Futuro", o tema gera debates intensos entre engenheiros, associações de transporte e o setor produtivo.

Afinal, essa mudança pode realmente prejudicar o seu veículo? Entenda os pontos de atenção.

O que muda na bomba?

A proposta prevê que a mistura de etanol na gasolina possa chegar a 30% (atualmente em 27%) e que o teor de biodiesel no diesel suba progressivamente até 20% (B20) nos próximos anos.

Os riscos apontados por especialistas

1. No caso do Biodiesel (Ciclo Diesel)

Este é o ponto de maior polêmica. Diferente do diesel mineral, o biodiesel é higroscópico (absorve água com facilidade).

Formação de "Borra": O excesso de umidade facilita a proliferação de bactérias que criam uma borra no tanque, entupindo filtros e bicos injetores.

· Degradação de Componentes: Misturas muito altas podem atacar mangueiras e vedações de borracha em motores mais antigos, além de acelerar a oxidação do óleo lubrificante.

· Perda de Potência: O biodiesel tem um poder calorífico menor que o diesel fóssil, o que pode resultar em um leve aumento no consumo.

2. No caso do Etanol (Ciclo Otto)

Para carros Flex, o impacto técnico é praticamente nulo, já que o motor é projetado para queimar 100% de etanol. O problema reside em outros nichos: [1]

· Veículos movidos apenas a gasolina: Carros importados ou modelos mais antigos "só gasolina" podem sofrer com corrosão precoce e dificuldades na partida a frio.

· Consumo: Como o etanol tem menos energia por litro que a gasolina pura, quanto maior a mistura, mais o motorista sente que o carro "bebe" mais para entregar o mesmo desempenho.

O lado do Governo e do Setor Produtivo

Os defensores da medida argumentam que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e que os biocombustíveis:

· Reduzem drasticamente a emissão de gases de efeito estufa.

· Diminuem a dependência de importação de derivados de petróleo.

· Fomentam o agronegócio nacional.

· Além disso, defendem que a tecnologia dos motores modernos já está preparada para absorver essas variações sem danos catastróficos, desde que a manutenção esteja em dia.

Como se proteger?
Se a nova mistura for aprovada, o motorista deve redobrar os cuidados com a manutenção preventiva:

1. Troca de filtros: Respeite rigorosamente o prazo de troca dos filtros de combustível.

2. Limpeza de tanque: Especialmente para frotas de caminhões, a limpeza periódica do tanque evita o acúmulo de sedimentos.

3. Postos de confiança: A qualidade do combustível base é fundamental para evitar que a mistura se torne um problema ainda maior.

Conclusão:
O aumento da mistura é um caminho sem volta para a sustentabilidade, mas exige cautela. O desafio do governo será garantir que a qualidade do biocombustível adicionado seja alta o suficiente para não transferir o custo ambiental para o bolso do consumidor na oficina.